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As 12 coisas pelas quais 2014 ficará na memória

É frequente, no final da cada ano civil, sermos confrontados com inúmeras listas dos acontecimentos mais importantes do ano. Faz-se o top de tudo aquilo que se possa pensar. E não há nada de mal nisso. São listas válidas, interessantes, que nos relembram daqueles momentos que teimavam em ficar perdidos na memória. Por outro lado, essas mesmas listas parecem tornar-se insignificantes passados alguns meses de terem sido feitas; ficam datadas no tempo e são substituídas pelos assuntos que então dominam a agenda do dia.

O presente texto é mais uma dessas listas, que provavelmente ficará esquecida com o passar dos dias. No entanto, aos assuntos aqui mencionados está reservado um lugar na história; 2014 será relembrado por:

 

Saída da Troika

Após três anos de intervenção externa, Portugal finaliza o programa da Troika e regressa aos mercados. Portugal consegue a saída limpa, sem necessidade de um segundo resgate ou programa cautelar. Depois de sobreviver à “tempestade”, o país começa andar sozinho; enquanto ansiamos pelo bom tempo, a economia começa a recuperar lentamente. A segunda metade de 2014 foi de estabilização, veremos o que nos espera 2015.

Queda do BES

Deixou o país em estado de choque e promete não ficar por aqui. A queda do BES é a queda de um império e de uma rede de relações que se davam por adquiridas e estáveis. Ainda está por saber o que realmente se passou e que impactos terá na nossa economia; para já, sabe-se que a PT sofreu as consequências. No que respeita à solução do Novo Banco, poupou-se um novo caso BPN, mas algumas pontas soltas deixam o debate em aberto para 2015.

Eleições Primárias no PS

O Partido Socialista deu um passo importante para a participação cívica e para a vida democrática em Portugal. De certeza que não passará despercebido aos restantes partidos. A escolha directa dos candidatos representa a vontade das bases e aproxima-as da escolha política. Há muito que faz parte da política americana e no nosso país apenas peca por tardia.

Caso de Sócrates

Talvez seja o caso do ano. Nenhum outro teve peso político e social para parar o país. É incontornável que irá mudar para sempre o país. Para já, as convicções encontram-se bi-polarizadas em actos de fé na culpa ou na inocência. Todos temos o nosso, mas cabe à Justiça deliberar; aguardemos.

A morte de Eusébio

Não é todos os dias que parte um ícone nacional. Eusébio foi, é e será uma referência para todos os portugueses. Não jogou no melhor clube do mundo (o Sporting Clube de Portugal), mas foi uma honra conhecê-lo e ouvir as suas maravilhosas histórias sobre os bastidores do futebol e as emoções dentro das quatro linhas.

Referendo escocês

A derrota do “sim” à independência fez os separatistas acordar de um sonho; não só na Escócia, mas também na Catalunha. As ideias separatistas sofreram um golpe duro, mas a autonomia das regiões continua um debate em aberto. Depois do referendo, o Reino Unido não voltará a ser o mesmo: maior autonomia fiscal e mais poderes para o Governo escocês foram os danos colaterais das promessas eleitorais.

Surto do Ebola

Com o crescimento da epidemia de Ebola na África Ocidental e o aumento do número de mortos na região, a Organização Mundial de Saúde declarou estado de emergência internacional e os Estados foram obrigados a intervir. A reacção internacional tardou, foram identificados casos da doença nos EUA e na Europa, o pânico foi iminente e houve momentos em que alguns os Estados pareciam não estar preparados para lidar com a situação; o exemplo de Espanha, é evidente e coloca na agenda uma prioridade: é necessário trabalhar melhor a comunicação de situações de risco.

Retomar das relações EUA / Cuba

O restabelecimento das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba é um dos acontecimentos do ano. Talvez não tenha sido discutido, em Portugal, como merecia, mas representa uma mudança histórica nas relações entre os Estados. Uma palavra para o Papa Francisco, que desempenhou um papel fundamental nesta história.

A ascensão do Estado Islâmico

O ano fica marcado pelo auto-proclamado Califado do Estado Islâmico do Iraque e da Síria. O grupo jihadista, que afirma a autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos, tem sido alvo de preocupação por parte da comunidade internacional, tendo inclusive sido designado como organização terrorista. O desprezo pelos direitos humanos, o financiamento que lhe permite obter meios militares e o receio ocidental de atentados, coloca este assunto na linha da frente das preocupações internacionais.

Situação da Ucrânia

Talvez seja um dos acontecimentos geo-políticos mais significantes da década actual e determinante na relação de poder entre o ocidente e o leste da Europa; leia-se UE e Russia. Decorria ainda o mês de Dezembro de 2013 quando a estátua de Lenine caiu em Kiev, mas os capítulos principais estavam reservados para 2014. O Euromaidan abriu caminho para o que foi apelidado de Revolução Ucraniana de 2014, levando à recusa russa de reconhecimento da legitimidade do novo Governo, à guerra da Crimeia e a um país em Estado de sítio. A relação do ocidente com a Russia azedou.

A crise económica da Rússia

Quando o mundo assistia à tentativa de reafirmação imperial da Russia no panorama internacional, a queda do Rubio, devido à descida dos preços do petróleo e sanções económicas pela actuação na Ucrânia, colocou o Governo de Moscovo sobre brasas. Se, durante todo o ano, os russos pareciam regressar à sua aspiração imperial, 2014 acaba com sérias dificuldades económicas. Veremos de, em 2015, até que ponto Putin é forçado a recuar na sua política externa.

Desaparecimento do voo Malaya Airlines 370

Não foi caso único, mas é o mais marcantes dos desaparecimentos misteriosos de aviões. Apesar do esforço para encontrar o Boeing 737 da Malasya Airlines, nunca chegou a aparecer e as 239 pessoas a bordo são presumidas como mortas. Enquanto se multiplicam as teorias da conspiração, o mundo exige que casos destes não se voltem a repetir; ironicamente, enquanto escrevia este texto, aconteceu…

nunodasilvajorge

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