0

O que se passa nas eleições primárias dos Estados Unidos da América?

Do outro lado do Atlântico a política vibra de maneira diferente. As eleições presidenciais norte-americanas apresentam uma vitalidade que as portuguesas não tiveram e atravessam agora um dos seus momentos mais interessantes: a escolha das nomeações partidárias.

Nos Estados Unidos da América debate-se quem será o candidato pelo Partido Democraca e pelo Partido Republicano e amanhã, dia 1 de fevereiro, decide-se o primeiro embate das primárias: o Iowa caucus. Após meses de campanha, o confronto tem-se tornado bi-partido: Hilary contra Sanders e Trump contra Cruz. O grande derrotado poderá ser o candidato de uma legacy de presidentes norte-americanos: Jeb Bush. Mas voltemos aos principais candidatos.

Os Republicanos escolhem entre dois principais pretendentes à nomeação. De um lado, Donald Trump, o candidato tabloide, que reflete uma forma de estar que se aproxima mais de uma celebridade de reality show do que de um político capaz de governar a causa pública, mas que o seu discurso conversador parece ter ganho o apoio entre a ala mais radical do partido – o chamado Tea Party – nomeadamente com o apoio de Sarah Palin. Do outro lado, Ted Cruz, um Senador do Estado do Texas, cristão, que de opõe às leis de controlo de armas, à permissão do aborto ou a um sistema nacional de saúde e que defende um maior controlo das fronteiras.

Trump parece estar a levar, e a aumentar, a vantagem. Cruz aparenta estar em queda e no debate da última quinta-feira, no qual Trump estrategicamente não marcou presença, foi uma espécie de alvo a abater pelos restantes candidatos republicanos, acabando por ser o centro de todos os ataques.  A sua quebra de momentum parece estar a dar a Trump uma vantagem confortável e cada vez mais Cruz se aproxima de uma luta com Rubio pelo segundo lugar.

Já no Partido Democrata, a pré-favorita Hilary Clinton tem lidado com um candidato chamado Bernie Sanders: um socialista assumido, de 75 anos, e que, apesar da sua idade, conta com um largo apoio jovem e inclusive do movimento Occupy Wallstreet. Sanders tem marcado o seu discurso com um tom populista de ataque ao sistema financeiro, que nalguns aspectos lembra o grego Tsipras.

Olhando para os dois partidos, os fenómenos populistas, virados para um espelhamento total de uma vontade popular, parecem conquistar uma larga base de apoio e desafiar os grandes adversários dos candidatos orientados para a governação moderada no sistema político. Talvez o maior perigo resida num confronto entre dois polos distintos e extremados, entre o populismo de Sanders e o populismo de Trump, entre um confronto que partirá a América num conflito ideológico que dificilmente poderá coexistir e criar consensos políticos.

Se, por um lado, Hilary contra Cruz poderá aparentar uma batalha menos ideológica e dentro do quadro político a que nos habituámos, um confronto entre Sanders e Trump radicalizaria o discurso até aos limites da tolerância democrática. Hilary poderá ser um antídoto para Trump, mas mesma forma que, o menos provável, Cruz poderá ser para Sanders.

Se Trump lidera destacado dentro do Partido Republicano, talvez o fator decisivo destas, mais renhidas, primárias democratas poderá estar na resposta à questão: quem está em melhores condições para conquistar o voto independente moderado em 2016?

 

nunodasilvajorge

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *