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Iowa caucus: a sua importância nas presidenciais americanas

Porque se fala tanto no Estado de Iowa nos Estados Únicos e porque este é tão importante nas eleições presidenciais norte-americanas? O que faz com que um Estado agrícola e com pouco peso político político ganhe tanta atenção?

O peso político do Iowa é pequeno. Entre os 48 Estados norte-americanos, é apenas o 30º mais populoso e também o 30º mais rico. E basta olhar para a sua representação no sistema político norte-americano. Tem apenas 7 votos no Colégio eleitoral dos Estados Unidos. Um peso pequeno quando comparado com os 55 do Estado da California, os 34 do Estado do Texas ou os 27 do Estado da Flórida. E elege apenas 5 representantes para a House of Representatives. Muito pouco, comparado com os 32 do Texas, os 29 de Nova Iorque ou os 53 da Flórida. O que justifica a sua importância eleitoral?

É em Iowa que se começa a eleger o próprio presidente dos Estado Unidos da América. Ao contrário do que é a tradição portuguesa, em que os candidatos são escolhidos internamente nos partidos (à excepção das primárias do Partido Socialista em 2014), os norte-americanos escolhem directamente o candidato dos partidos – como se de uma primeira volta se tratasse, antes do confronto final entre os escolhidos pelos Democratas e pelos Republicanos.

E as primárias norte-americanas começam em Iowa. É uma espécie de pontapé de partida para as eleições, Estado a Estado, que se seguem. Os resultados em Iowa começam a definir a escolha presidencial. Os candidatos que obtêm maus resultados têm tendência a desistir, muitas vezes, oferecendo o seu apoio a um outro candidato. Os candidatos vencedores começam a construir uma vantagem que, a ser confirmada nas primárias do Estado New Hampshire, os colocam como o principais favoritos à nomeação. E aqui convém relembrar, por exemplo, a vitória de Barack Obama em 2008 em Iowa, que começou a trilhar o seu caminho para a presidência – e que a sua derrota nas primárias de New Hampshire deram origem ao famoso discurso Yes We Can, como que uma mensagem revitalizante as tropas para as batalhes que se seguiam.

Mas o que Iowa tem também de especial é que, ao contrário da maioria dos Estados, utiliza do sistema arcaico do caucus, a fazer lembrar a obra clássica de Ostrogorski sobre os partidos políticos. O caucus é um sistema de reuniões locais onde eleitores escolhem, de braço no ar ou em grupo, os candidatos que irão apoiar e elegem delegados que irão votar na convenção estatal de cada partido.

Apesar do criticismo a que pode ser sujeito, o fenómeno tem crescido, desde que o Partido Democrata alterou o seu calendário em 1972 para tornar o Estado do Iowa no primeiro Estado a ter a sua eleição, e é hoje um verdadeiro circo mediático. Os habitantes de Iowa interiorizaram o seu papel decisivo na política norte-americana, as campanhas dos candidatos e, também, os benefícios para a hotelaria e a restauração local.

Talvez o espetáculo seja um pouco estranho para a conservadora política portuguesa. Mas se queremos compreender o fenómeno democrático que decorre do outro lado do Atlântico, temos de olhar para as suas idiossincrasias. E nesse aspecto, não é possível compreender a eleição de um Presidente dos Estados Unidos da América sem compreender o fenómeno a que muito chamam de First in the Nation.

 

nunodasilvajorge

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