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Como falar em público: o guia inicial para fazer apresentações

falar em publico

O Public Speaking é uma arte. Neste artigo, partilho um pouco do que uso para construir o melhor desempenho de como falar em público perante uma audiência.

Tudo o que aqui partido deve ser compreendido como um ponto de partida que não esgota o que um orador deve saber ou dominar, muito menos deve ser compreendido como um conjunto de receitas que se podem aplicar de forma indiferenciada para conseguir um resultado fenomenal – tais receitas não existem.

Este artigo é um pequeno guia inicial para fazer apresentações. É um ponto de partida para quem quer dar os primeiros passos nesta matéria.

 

 

Ponto de Partida

A primeira regra que qualquer orador tem de perceber é a velha máxima ‘a prática faz a perfeição’. Não existe uma lição que se decore e que se aplique. É necessário praticar vezes sem conta para que o desempenho se torne natural. E falar em público é isto: um desempenho.

É isto que digo muitas vezes a pessoas que me procuram para os ajudar a melhorar as suas competências de public speaking. Digo-lhes que, seja em que circunstância for, falar em público é como uma peça de teatro em que nos representamos a nós mesmos.

E quem tem menos experiência de uma audiência sente o que muitas vezes é apelidado do medo de palco. Tem receio de falhar, receio de ser mal recebido, receio de estar em constante observação pela audiência. Mas este receio não desaparece. É natural. A única maneira de o ultrapassarmos é se o interiorizarmos como algo positivo e que significa que estamos a sentir a emoção de ir falar em público – uma emoção que não podemos deixar que nos amedronte, pelo contrário, podemos canalizar esta força como uma adrenalina positiva, contagiante e que demonstra que desfrutamos o momento.

O receio de falar em público é natural e um sinal de emoção. O que fazemos com ele é que decide se nos bloqueia ou se nos dá ainda mais força.

 

Os Seis ‘W’

Qualquer que seja a circunstância em que vamos falar perante uma audiência, existe um conjunto de elementos que devemos listar e a que podemos chamar de ‘os seis w’: whowhat, where, when, to whom e why. Estes são os elementos iniciar que devemos colocar por escrito e que servem de guia de orientação:

 

  • Who (quem): definir quem vai falar e as características que podem ser destacadas ou usadas na comunicação.
  • What (o quê): definir o que se vai dizer, qual a mensagem-chave e as sub-mensagens que a sustentam.
  • Where (onde): identificar o local em que se vai falar e como este estrutura a própria comunicação.
  • When (quando): caracterizar o contexto em que se fala: que tipo de evento, hora e dia.
  • To whom (a quem): definir quem é o nosso público, que características, valores e interesses tem.
  • Why (porquê): resumir porque o que vai ser dito é importante.

 

Regra dos 30-30-30

Costuma-se dizer que “o improviso dá muito trabalho” e essa é a máxima que qualquer orador deve interiorizar. Os bons desempenhos espontâneos são raros. São tão raros que só acontecem com uma minoria de oradores que têm a origem da sua espontaneidade no treino contínuo que foram adquirindo ao longo dos anos.

Salvo estas raras excepções, é necessário dedicar tempo a preparar uma apresentação. E, aqui, normalmente usa-se a máxima dos 30-30-30 que nos diz que 1/3 do tempo deve ser usado para conceptualizar e desenhar a narrativa da apresentação; 1/3 do tempo deve ser usado para desenvolver o texto base e os materiais de suporte; e 1/3 do tempo deve ser usado para ensaiar.

Curiosamente, o ’30’ menos importante é o do meio, mas é aquele em que a maioria dos iniciados no public speaking apostam. Perdem todo, ou quase todo, o tempo a tentar desenvolver os seus materiais de suporte, esquecendo-se de investir na narrativa conceptual e no treino do desempenho.

 

Desenvolver um Estilo

Anos de treino e estudo de grandes oradores – desde Steve Jobs, Malcom Gladwell, Barack Obama ou Churchill – demonstram que é o cunho pessoal de cada orador que define o seu próprio estilo. Nem todos temos a mesma personalidade e um orador deve primar pela sua capacidade de diferenciação, mas também é verdade que encontramos padrões que nos ajudam a interpretar cada momento da melhor forma. Existem alguns traços gerais que devemos ter em conta in abstracto e, posteriormente, concretizar no nosso próprio estilo em função das especificidades de cada situação.

Este são alguns dos traços que se pode encontrar nos grandes oradores:

 

Na conceptualização

  • Dicotomia vilão vs herói
  • Uma mensagem principal suportada por três argumentos
  • Exemplos dão tangibilidade à narrativa
  • Uso casual de sarcasmo

 

No suporte gráfico (quando usado)

  • Bullet points são proibidos
  • O texto deve ser minimizado nos slides
  • A componente visual dos slides completa a mensagem
  • O título é a agenda. É proibido revelar os capítulos antes do momento adequado.

 

No desempenho

  • A repetição é a figura de estilo mais importante
  • Uso de linguagem inclusiva
  • As pausas marcam o ritmo
  • O tom marca a energia do discurso apenas nos momentos chave
  • Gestos acompanham a oralidade e acrescentam sentido
  • Contacto visual com a audiência
  • Uso de silogismos e perguntas retóricas

 

Software

Acredito que toda a situação em que se fala em público necessita de material de suporte – seja um suporte gráfico ou anotações em papel – e longe vão os tempos em que se escreviam notas num guardanapo ou apenas num caderno. Felizmente, temos software que nos ajuda a trabalhar melhor e mais rápido.

Estes são os meus recursos preferidos:

  • Microsoft Word: o eterno processador de texto. Continua a ser o melhor para redigir documentos.
  • EverNote: para tirar notas em qualquer lado e sincronizadas entre dispositivos. É como ter um bloco de notas em qualquer lugar e em qualquer lado.
  • Keynote: já passaram alguns anos que deixei o Powerpoint. O Keynote é, sem qualquer dúvida, o melhor e mais intuitivo recurso para construir slides. É indispensável.
  • Adobe photoshop: uso-o para tratar as imagens; dispensa apresentações.

 

Leituras Recomendadas

A literatura sobre public speaking é extensa, mas nem por isso proveitosa para quem ambiciona crescer enquanto orador. A quase infinidade de obras que prometem receitas mágicas para influenciar toda e qualquer audiência é, na sua maioria, seguida de uma decepção profunda sobre a (falta de) profundidade e credibilidade das mesmas.

Existe uma arte de falar em público que não é compatível com as receitas que certos auto-denominados gurus de palco nos querem fazer crer. A realidade de conquistar uma audiência é mais complexa do que parece e o seu domínio, como disse anteriormente, requer prática, treino, estudo e auto-descoberta.

No entanto, existem alguns livros interessantes e que dão-nos conhecimento que podemos adaptar e moldar à nossa forma de construir os nossos próprios desempenhos. Desse leque, estes são as minhas referências:

Recursos

Por melhor que sejam as nossas capacidades de oratória e de domínio do software existente, vamos sempre precisar de recursos complementares para construirmos apresentações que conquistam as nossas plateias. Entre outros, estes alguns dos recursos gratuitos que costumo utilizar:

noteandpoint: website com boas apresentações em formato slide e que inspiram a nossa criatividade

photopin: motor de busca de fotos gratuitas com creative commons

thenounproject: base de dados de icons que podemos utilizar nas nossas apresentações

daFont: para encontrarmos o tipo de letra que queremos para aquele slide em particular

canva: para fazer uma edição criativa rápida com uma imagem

slideshare: para procurar, guardar e partilhar apresentações.

 

Nota

Estes recursos ou ideias não esgotam o que há para saber sobre public speaking. Servem apenas de ponto de partida para quem pretende iniciar ou melhorar o seu desempenho diante uma audiência.

Para continuar esta conversa, clique aqui.

nunodasilvajorge

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